Para Leonardo Baptista, CEO e cofundador da Pay4Fun, instituição de pagamento brasileira, o Pix já ocupa uma posição central na economia digital brasileira. "Hoje o Pix manda no mercado. Todas as transações no mercado de apostas legal, se baseiam em Pix", afirmou o executivo em entrevista.
Segundo Baptista, a discussão agora deve se concentrar menos na substituição de um meio de pagamento por outro e mais na criação de um ambiente financeiro seguro, rastreável e integrado.
"O Pix foi o começo de uma transformação muito maior. Nos próximos anos, veremos pagamentos cada vez mais instantâneos, integrados a plataformas digitais e apoiados por mecanismos avançados de identificação, prevenção a fraudes e análise de dados." afirma Leonardo Baptista, CEO e cofundador da Pay4Fun
Pix ganha novas funções
A agenda do Banco Central indica que o Pix continuará evoluindo. Entre as prioridades estão o Pix por aproximação, o Pix Parcelado, o Pix em garantia e o aperfeiçoamento do Mecanismo Especial de Devolução, conhecido como MED 2.0.
O Pix Automático também deve ampliar o uso do sistema em pagamentos recorrentes, como mensalidades, assinaturas, seguros, contas de serviços e cobranças empresariais. A lógica é semelhante à do débito automático, mas com uma experiência mais simples e potencialmente acessível a um número maior de empresas e consumidores.
Na avaliação de Baptista, a combinação entre rapidez e rastreabilidade pode ser especialmente relevante em setores que precisam comprovar a origem e o destino dos recursos.
"A evolução do Pix precisa vir acompanhada de controles cada vez mais sofisticados. A tecnologia permite que uma transação seja rápida, mas também identificável, auditável e submetida a regras de prevenção a fraudes", aponta o executivo.
O crescimento do Pix não significa, necessariamente, o desaparecimento dos cartões. O sistema tende a ganhar espaço em pagamentos à vista, transferências, cobranças recorrentes e operações de baixo custo, enquanto os cartões devem continuar relevantes no crédito parcelado, nos programas de fidelidade e em mecanismos de proteção ao consumidor.
Open Finance transforma dados em crédito
A segunda grande frente é o Open Finance. O sistema permite que o consumidor autorize o compartilhamento de seus dados financeiros entre instituições, facilitando a comparação de produtos, a portabilidade de crédito e o acesso a serviços personalizados.
O Banco Central vem trabalhando na expansão do Open Finance para crédito, investimentos, portabilidade de salário e soluções voltadas a empresas. Em abril de 2025, a instituição informava 52 milhões de clientes e 3,3 bilhões de consultas semanais no sistema.
Números mais recentes divulgados pelo setor financeiro apontam mais de 126 milhões de usuários ou consentimentos. A comparação exige cautela, pois clientes, usuários e consentimentos são métricas diferentes.
Na prática, o Open Finance pode reduzir a dependência do consumidor em relação ao banco onde mantém sua conta principal. Uma fintech poderá analisar, com autorização, a movimentação financeira do cliente em diferentes instituições e oferecer crédito com base em um histórico mais completo.
A oportunidade, porém, não garante juros menores automaticamente. Para que o benefício chegue ao consumidor, será necessário haver concorrência efetiva, transparência nos modelos de risco e facilidade para revogar autorizações.
Inteligência artificial nos bastidores
A inteligência artificial será uma das principais tecnologias por trás da nova infraestrutura financeira. Bancos e fintechs já utilizam modelos para identificar transações suspeitas, analisar crédito, automatizar atendimento e personalizar ofertas.
A Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026 estima investimentos de R$ 50,4 bilhões em tecnologia no setor bancário ao longo do ano. Cibersegurança é prioridade para todas as instituições pesquisadas, enquanto cloud e inteligência artificial generativa aparecem entre as principais frentes de investimento.
O desafio será equilibrar velocidade e controle. Quanto mais automatizado for o sistema financeiro, maior será a necessidade de explicar por que uma transação foi bloqueada, uma conta foi submetida a análise ou um crédito foi recusado.
Pagamentos internacionais e novas fronteiras
O Pix também começa a ultrapassar as fronteiras brasileiras. Atualmente, já pode ser utilizado em estabelecimentos de oito países por meio de soluções que fazem a conversão automática para reais. O Banco Central, contudo, ainda não considera isso um Pix internacional oficial.
A expansão internacional pode reduzir a dependência de cartões e facilitar compras de brasileiros no exterior, especialmente na América do Sul. Para isso, ainda serão necessários acordos cambiais, interoperabilidade entre sistemas, padrões comuns de QR Code e regras de proteção contra fraudes.
Outra possibilidade é o avanço das stablecoins e de outros ativos digitais lastreados em moedas tradicionais. O Banco Central já incluiu a tokenização e os ativos virtuais entre os temas de sua agenda regulatória.
O impacto para empresas e consumidores
Nos próximos cinco anos, a transformação deverá aparecer em situações cotidianas:
- pagamentos recorrentes autorizados uma única vez;
- compras por aproximação sem cartão físico;
- crédito baseado no histórico financeiro completo do cliente;
- sistemas antifraude que analisam comportamento em tempo real;
- ativos e recebíveis utilizados digitalmente como garantia;
- pagamentos internacionais com conversão automática;
- serviços financeiros integrados a aplicativos, marketplaces e plataformas de comércio.
Para as empresas, a consequência será uma redução potencial no tempo de recebimento e nos custos operacionais. Também aumentará a pressão por integração tecnológica, conformidade regulatória e capacidade de monitorar transações.
Para o consumidor, a experiência tende a ser mais simples, mas exigirá maior atenção a consentimentos, cobranças automáticas, golpes e uso de dados pessoais. O dinheiro poderá ficar mais rápido e invisível e justamente por isso será necessário tornar os controles mais claros.
Mais que uma revolução de pagamentos
A cobertura recente aponta que o Brasil está construindo uma infraestrutura financeira com características próprias: pagamentos instantâneos de grande escala, compartilhamento regulado de dados, forte atuação do Banco Central e rápida adoção por consumidores e empresas.
O Pix foi o primeiro grande passo porque popularizou a transferência imediata e reduziu a fricção das transações. O próximo ciclo será mais abrangente: o dinheiro não apenas circulará mais rápido, mas poderá ser programado, analisado por inteligência artificial, associado a ativos tokenizados e integrado a diferentes plataformas.
Para o CEO da Pay4Fun, a prioridade deve ser garantir que a inovação venha acompanhada de segurança e responsabilidade. "A tecnologia precisa facilitar a vida do usuário, mas também fortalecer a integridade do sistema. O futuro dos pagamentos será definido pela combinação entre velocidade, conveniência, transparência e controle." diz. A principal mudança, portanto, não será o fim de uma tecnologia e o surgimento de outra. Será a integração de todas elas em uma mesma jornada financeira.
Fonte: Ana Claudia Silva - Assessora de Imprensa
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