Profa. Dra. Cássia Estofolete, infectologista e professora da FAMERP  Foto: Johnny Torres / FAMERP Divulgação

Brasil registrou 85.936 novos casos de tuberculose em 2024, número que mantém a doença como um dos principais desafios da saúde pública no país e reacende o alerta neste 24 de março, Dia Mundial de Combate à Tuberculose. Em relação à mortalidade, o dado mais recente aponta 6.315 mortes em 2024 (dado preliminar).

Longe de ser um problema do passado, a tuberculose segue entre as doenças infecciosas mais letais do planeta. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, 10,7 milhões de pessoas adoeceram no mundo em 2024 e cerca de 1,23 milhão morreram. Embora a incidência global tenha recuado 1,7% entre 2023 e 2024, retornando ao patamar pré-pandemia, o ritmo de queda ainda está muito abaixo das metas internacionais de eliminação da doença.

A médica infectologista e professora da FAMERP, Profa. Dra. Cássia Estofolete, explica que a tuberculose é causada pela micobactéria Mycobacterium tuberculosis, o chamado bacilo de Koch, e afeta principalmente os pulmões. “A transmissão ocorre pelo ar, quando uma pessoa doente tosse, espirra ou fala e elimina a micobactéria”, afirma. Os sintomas mais frequentes incluem tosse persistente por três semanas ou mais, febre, suor noturno, cansaço, emagrecimento e dor no peito para respirar — sinais que muitas vezes demoram a ser observados, o que contribui para o diagnóstico tardio e para a continuidade da cadeia de transmissão.

De acordo a especialista, um dos maiores desafios no enfrentamento da tuberculose ainda é ampliar a percepção de risco, lembrar que há outras formas da doença, além da respiratória e garantir que pacientes com sintomas respiratórios persistentes procurem atendimento o mais cedo possível. “A doença também tem forte relação com os determinantes sociais da saúde e atinge de forma desproporcional populações em situação de maior vulnerabilidade, como pessoas privadas de liberdade, pessoas em situação de rua, pessoas vivendo com HIV/Aids, populações indígenas e imigrantes", diz a infectologista. 

Além do impacto clínico, a tuberculose produz efeito direto sobre a renda familiar: a OMS estima que, entre 2015 e agosto de 2024, cerca de 49% das famílias afetadas pela doença enfrentaram custos catastróficos, com gastos superiores a 20% da renda anual.

Apesar do peso da doença, o Brasil aparece com indicadores relevantes de resposta. Segundo informações divulgadas com base no Relatório Global da Tuberculose 2025, 89% das pessoas que desenvolveram tuberculose no país foram diagnosticadas e notificadas oficialmente em 2024, e o Brasil lidera, entre os países de alta carga, o Índice de Cobertura de Serviços da OMS, com patamar superior a 80%. Houve ainda aumento de 39,1% no tratamento preventivo entre contatos de pessoas com tuberculose, além da ampliação do acesso ao diagnóstico molecular rápido.

Outro destaque é o financiamento doméstico das ações de enfrentamento. Em 2024, o Ministério da Saúde destinou R$ 100 milhões a estados e municípios habilitados para ações de vigilância, prevenção e controle da tuberculose, medida vista como estratégica para ampliar diagnóstico, investigação de contatos e integração do cuidado, especialmente na atenção primária.

Fonte: Assessoria FAMERP

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