Existem investimentos feitos por empresas que não podem ser medidos com precisão numérica, mas que trazem prestígio, percepção positiva para a marca e até melhoram o ambiente de trabalho. Um programa de compliance, embora não seja considerado uma aplicação financeira, mas a prática de manter em funcionamento as normas legais e regulamentos para funcionamento das organizações, é hoje um dos pilares para longevidade para pequenas e médias empresas.

É o que explica Marcela Pedreiro, advogada da área de Administração Pública, mestre em Direito Societário e sócia do escritório Godke Advogados. "Se a pequena e média empresa pensa em crescer e se manter no mercado, o programa de compliance é um dos pilares e não somente para grandes empresas, onde a missão, visão e valores podem ser pulverizados com a entrada de pessoas de naturezas e formações diferentes. A importância do compliance se justifica, entre outros motivos, para a garantia da integridade da empresa, ou seja, continuidade das suas atividades, assim como a visão e missão", explica.

De acordo com Marcela, a prática do compliance ao longo dos anos estabeleceu alguns parâmetros que geralmente não variam: 20% das pessoas nas empresas são incorruptíveis; outras 20% são corruptíveis e 60% vão agir de acordo com as ações da alta administração e como o compliance é aplicado na corporação. "Ao fazer esse investimento, a empresa deve ser clara e fiel ao que ela tem como objetivo e não tentar copiar programas de instituições de grande porte. Nesse processo, é importante esclarecer os riscos que ela quer mitigar e que a alta administração esteja comprometida com a sua implantação", destaca.

Marcela Pedreiro destaca benefícios diretos do compliance: possibilidade de abrir portas em contratações comerciais; mais facilidade na abertura de capital, na valorização de ratings e na emissão de papéis; mais chance de contratação de financiamentos; aumento do valuation ("valor da empresa no mercado") e, principalmente, ter uma boa cotação no cadastro de empresas do Portal da Transparência da CGU (Controladoria Geral da União). "O fato de existir não somente um programa de compliance implementado, mas realmente seguido por meio de treinamentos comprovados por listas de assinaturas dos funcionários, é um diferencial que ajuda no fechamento de contratos de pequenas e médias empresas com grandes fornecedores", afirma.

Segundo a consultoria Compliance PME, sediada no Rio de Janeiro, um programa de compliance consolidado protege os sócios contra eventuais atos de colaboradores e parceiros de negócios e aumenta a percepção positiva da marca no mercado e o valor da organização. "Por ser um gasto importante, dependendo do tamanho da empresa, é aconselhável contratar uma consultoria especializada para ter uma orientação profissional e para pulverizar os gastos entre associados", aconselha ela.

PERFIL

Marcela de Mello Pedreiro - Bacharel em Administração Pública - EAESP-FGV, Bacharel em Direito - USP, LL.M. em Direito Societário - NYU (EUA), Certificado de Direito Tributário - CEU Law School, Formação de Conselheiros pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa, Pós-Graduanda em Gestão de Pessoas: Carreiras, Liderança e Coaching pela PUC-RS. É advogada do escritório Godke Advogados.

Fonte: M2 Comunicação

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