Um pesquisador brasileiro, formado pela Faculdade de Medicina de Catanduva, no interior de São Paulo, lidera uma investigação científica promissora que utiliza inteligência artificial e nanotecnologia para combater células cancerígenas. José Emilio Fehr Pereira Lopes, de 63 anos, desenvolveu em parceria com a Harvard Medical School uma molécula sintética batizada de A4, projetada para destruir tumores de forma seletiva, preservando as células saudáveis do organismo. O estudo, que teve início em 2009, baseia-se em uma estratégia que os cientistas comparam a um “cavalo de Troia” em escala microscópica.
A inovação consiste em esconder o medicamento dentro de um tipo especial de açúcar modificado. Como as células cancerígenas consomem glicose em grandes quantidades para gerar energia, elas acabam absorvendo o composto sem resistência. Uma vez dentro do tumor, a molécula A4 age diretamente nas mitocôndrias — as centrais de energia da célula — e religa um mecanismo natural de defesa chamado apoptose, que é a morte programada da célula. Nas terapias tradicionais, esse sistema costuma ser desligado pelo câncer, mas a nova substância consegue reativá-lo, forçando a autodestruição da unidade doente.
O grande diferencial da pesquisa é a baixa toxicidade para o restante do corpo humano. De acordo com o médico, enquanto os tratamentos atuais costumam afetar tanto tecidos doentes quanto saudáveis, a molécula biointeligente foi desenhada para reconhecer apenas as características metabólicas dos tumores. Essa precisão é alcançada graças à união entre engenharia molecular e modelagem computacional por IA, que permitiu aos cientistas criar uma estrutura tão pequena que centenas de milhares delas caberiam na espessura de um único fio de cabelo.
Atualmente residindo nos Estados Unidos, José Emilio acompanha os avanços da tecnologia por meio de uma startup criada especificamente para realizar os testes pré-clínicos. O próximo passo fundamental da jornada científica é a submissão dos resultados ao Food and Drug Administration (FDA), o órgão regulador norte-americano, para que a terapia possa avançar para as fases de testes em humanos. Se aprovada, a técnica representa uma mudança de paradigma na oncologia, oferecendo um tratamento mais eficaz e com menos efeitos colaterais para os pacientes.
Fonte: G1RioPreto / Região Noroeste
![]() |


