A Fundação Padre Albino (FPA), desde o reconhecimento da pandemia pelos órgãos sanitários competentes, elaborou Plano de Contingência para Enfrentamento da Pandemia de COVID-19, visando aumentar a capacidade de atendimento à população dos municípios aos quais é referência, sendo eles Catanduva, Pindorama, Santa Adélia, Ariranha, Pirangi, Palmares Paulista, Tabapuã, Novais, Catiguá, Elisiário, Sales, Marapoama, Itajobi, Irapuã, Novo Horizonte, Paraíso, Fernando Prestes, Embaúba e Urupês.

Devido ao alto risco de contaminação foi necessária a implementação de fluxo exclusivo para atendimento aos casos respiratórios, distinto do fluxo de atendimento normal já realizado pelos hospitais Padre Albino e Emílio Carlos. Para isso, os hospitais passaram por profunda reorganização de fluxos, inclusive com a criação de unidade específica para tratamento dos pacientes suspeitos ou confirmados para COVID-19.

Seguindo as recomendações e diretrizes dos órgãos gestores estaduais e federais, a Fundação reinventou seu atendimento. Áreas físicas foram readequadas, novos fluxos de atendimentos criados e os existentes otimizados, protocolos clínicos adequados à atual situação de calamidade e colaboradores treinados para oferecer o melhor cuidado.

O Hospital Padre Albino, por dispor de serviço de atendimento estruturado para Pediatria e Maternidade, ficou responsável pelo atendimento às crianças e gestantes com sintomas respiratórios. Um setor de internação foi isolado, adequado e equipado de acordo com as normativas sanitárias, com instalação de três leitos para atendimento aos pacientes pediátricos não graves e um leito para atendimento a gestantes.

O atendimento aos pacientes adultos que apresentassem sintomas respiratórios ficou no Hospital Emílio Carlos. Inicialmente foi estruturada a Unidade para Respiratórios Agudos (URA), composta pela Unidade de Pronto Atendimento, Unidade de Internação de Pacientes Críticos (UTI) e Unidade de Internação de Pacientes não Críticos (Enfermaria). Para suporte a essa estrutura foram montadas áreas de paramentação e desparamentação, setor de radiologia, setor de logística de insumos e área para triagem pré-hospitalar.

Ao Governo Federal foi solicitada a habilitação de 20 leitos de Terapia Intensiva e 22 leitos de Enfermaria e ao Governo Estadual equipamentos e insumos necessários para implementação desses leitos. O Estado enviou 15 ventiladores mecânicos e um ventilador para transporte. A Fundação Padre Albino, seguindo com o compromisso de prestar atendimento de qualidade com segurança, mobilizou recursos próprios para aquisição dos outros equipamentos necessários para a devida operacionalização daquele setor, entre eles monitores multiparâmetros. Com a suspensão dos procedimentos eletivos, equipamentos de outros setores, em especial do Centro Cirúrgico do Hospital Emílio Carlos, foram movidos para a área respiratória, visando suprir as necessidades desta.

Os 22 leitos de Enfermaria, apesar de todos os esforços para as adaptações necessárias para a COVID-19 (EPIs e isolamento, dentre outros) não têm habilitação diferenciada (recursos financeiros); os recursos financeiros são os mesmos da enfermaria comum, o que gera maior déficit para a Fundação.

A habilitação dos leitos de UTI foi publicada em 20/07/2020, através da Portaria nº 1.787, de 17/07/2020, e a verba repassada dia 25 de agosto último. Os hospitais da Fundação apresentaram déficit de R$ 8,9 milhões de janeiro a julho de 2020, valor que se aproxima dos R$ 100 milhões nos últimos 10 anos. Os recursos recebidos de emendas parlamentares, doações, entre outros, foram e são muito bem-vindos, porém, como foi informado, insuficientes para resolver problemas históricos, como a tabela SUS, que não é reajustada há mais de 12 anos. Por isso, continuamos pedindo ajuda da população, de autoridades competentes para continuarmos tratando os pacientes COVID-19, oncológicos e demais patologias.

Além da adequação física e disponibilização de equipamentos, todos os fluxos de atendimento foram revistos e adequados e, além disso, muitos criados, quando necessário. O corpo clínico foi convocado, novos colaboradores contratados, equipes médicas e multiprofissionais realocadas. Protocolos clínicos foram discutidos e, baseado nas evidências científicas, adequados à realidade. Boas práticas de atendimento e condução dos casos utilizados em áreas não respiratórias foram implementados nesses setores; medidas tomadas visando garantir a qualidade e segurança dos pacientes.

Com a evolução da pandemia e aumento do número de casos, identificou-se a necessidade de ampliação do Pronto Atendimento da URA sendo, então, ativada a Tenda de Triagem Pré-Hospitalar, instalada ao lado daquela Unidade. A tenda funciona 24 horas nos sete dias da semana e dispõe de áreas adequadas para manutenção do distanciamento e isolamento necessários e condução dos pacientes que necessitam de atendimento. Além disso, dispõe de consultórios médicos, 12 boxes individuais para pacientes, dotados de suporte de oxigênio, dois leitos de emergência e estabilização, equipados com ventilador mecânico, monitores multiparamétricos e outras tecnologias necessárias ao atendimento de pacientes críticos. Esse ambiente garante as condições adequadas até a decisão médica da necessidade de internação hospitalar. Cabe esclarecer, novamente, que não se trata de uma unidade de internação.

A pedido do Governo Estadual, que disponibilizou ventiladores mecânicos, avaliamos a possibilidade de expansão da área de internação hospitalar e criação de novos leitos. Ampliação de leitos significa aumentar a disponibilidade destes, mas também requer que estejam de acordo com as normas mínimas de segurança preconizadas pelas autoridades sanitárias. Um leito de UTI demanda muitos recursos. Estes não são somente equipamentos (camas, monitores multiparamétricos, bombas de infusão, oxímetros  de pulso, desfibriladores, carrinhos de medicações, máquinas de hemodiálise, suportes de soro, macas de transporte, aspiradores, cadeiras de rodas, poltronas, colchões anti-escaras, laringoscópio, ressuscitadores manuais, máscara de oxigênio para altas concentrações, esfignomanômetros, estetoscópios, entre outros), mas disponibilidade de medicamentos em quantidade adequada, além de recursos humanos, estes últimos imprescindíveis ao correto atendimento e diretamente relacionados à qualidade da assistência e com os desfechos.

Cabe salientar que os profissionais de saúde de forma geral (médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, farmacêuticos, higiene e limpeza, copeiras, manutenção clínica e predial, informática, nutricionistas, psicólogos, assistente social, motorista de ambulância, administrativos, dentre outros) também contraem a COVID-19, o que torna a reposição imediata desta mão de obra especializada em urgência e emergência mais um empecilho. Isso reporta grande dificuldade para contratações, pois nesse setor a experiência profissional é o diferencial. Não existe tempo hábil para “trocar o pneu com o carro andando” quando se fala de paciente crítico. O exercício da profissão na ala respiratória traz impacto psicológico imensurável e requer equilíbrio emocional. A situação impôs dobras de turnos de trabalho entre instituições e o cansaço e o desgaste começam a aparecer.

Foi com muita tristeza que lemos recentemente em canais da imprensa de que estamos em zona de conforto. Aceitamos as críticas, porém, neste caso foi um tremendo desrespeito para com os profissionais da saúde que estão atuando na linha de frente, muitos há meses distantes de seus entes queridos. Apesar de todos os cuidados, a Fundação Padre Albino já tem 258 funcionários que contraíram a COVID-19 e registra, em média, dezenas de funcionários afastados diariamente. Esses profissionais merecem nosso respeito e a direção da Fundação se solidariza com todos.

As unidades de saúde são a linha final de assistência daqueles que contraem a COVID-19 nas ruas ou nos próprios domicílios. Esquecer que a implementação das medidas de distanciamento social se justifica para evitar a superlotação dos serviços de saúde é negligenciar e se afastar dos critérios técnicos de enfrentamento. Fazemos a assistência daqueles onde as medidas de controle sanitárias não foram eficazes ou que foram negligenciadas e transferir o ônus dos resultados desta calamidade pública exclusivamente para estas seria um erro clássico.

Neste momento, onde instituições de saúde estão no limite da capacidade, profissionais de saúde cansados e raros no mercado, medicações em falta, ter bom senso e seguir o ditado popular “Prevenir é melhor do que remediar” seria a melhor solução. Todos temos responsabilidades e deveres nesse enfrentamento.

Ampliar leitos requer ventiladores mecânicos, uma imensidão de outros equipamentos, além de recursos humanos que, atualmente, a Fundação Padre Albino não os têm disponíveis. Importante lembrar que os 20 leitos de UTI solicitados representam aumento de 95% em relação ao número anterior de 21 leitos de UTI adulta disponíveis antes da COVID-19. No total foram criados 42 leitos SUS, número maior que muitos hospitais da região. Não observar os limites e riscos configuraria irresponsabilidade por expor a população a risco maior do que o já causado pela própria pandemia.

Até 25 de agosto, a Unidade para Respiratórios Agudos (URA) da Fundação Padre Albino atendeu 2.300 pacientes de Catanduva e região, sendo que destes, 714 foram internados, com 351 casos confirmados e 104 óbitos.

Sempre em evolução, a Fundação Padre Albino implantou gestão profissionalizada em janeiro deste ano, possui Conselho de Administração e Conselho de Curadores atuantes, além de ser fiscalizada pelos Tribunais de Contas e Ministério Público. Vem implementando ferramenta de governança corporativa, sempre visando o cumprimento do seu Estatuto e das leis. Apesar de todas as dificuldades, da incompreensão e falta de colaboração de alguns, continuará lutando para cumprir sua missão com a ajuda de Deus e intercessão de seu patrono, Padre Albino.

Foto: URA/Unidade para Respiratórios Agudos

Fonte: Fundação Padre Albino

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