Metade dos adolescentes brasileiros passa mais tempo na internet do que gostaria, segundo pesquisa do Instituto Alana em parceria com a agência Koga. O levantamento, que ouviu 505 jovens de 13 a 17 anos, mostra ainda que 40% relatam prejuízos nos estudos e na qualidade do sono.
Mas perder tempo não é a única questão. Mesmo quando consegue reservar tempo para estudar, a maneira como o estudante usa esse período pode fazer diferença no quanto realmente aprende.
Em meio ao excesso de estímulos digitais e ao avanço da inteligência artificial, não basta ter acesso à informação. É preciso manter a atenção, processar o conteúdo e transformá-lo em aprendizado. E, enquanto pais e escolas se concentram nos impactos das novas tecnologias, uma questão da própria rotina escolar pode passar despercebida: a forma como eles estudam.
Para muitos adultos, ver o filho sublinhando o livro inteiro, enchendo o caderno de resumos e passando horas debruçado sobre o material é sinônimo de dedicação. Para a ciência, porém, algumas das técnicas mais associadas ao esforço estão entre as menos eficazes para fixar o conteúdo.
Uma das pesquisas mais citadas sobre o tema, conduzida por John Dunlosky, da Kent State University, avaliou dez técnicas de estudo comuns entre alunos e concluiu que as mais populares, como releitura, sublinhado, marca-texto e produção de resumos, são justamente as que geram menor retenção. A explicação é o que os pesquisadores chamam de "ilusão de aprendizagem", ou efeito de fluência: quanto mais familiar um texto parece após uma releitura, mais o aluno acredita ter aprendido quando, na verdade, apenas reconhece o conteúdo.
Para Victor Cornetta, especialista em desenvolvimento estudantil e fundador da Kaizen Mentoria, esse é um dos maiores mal-entendidos da rotina escolar.
"Muitos alunos passam horas estudando com técnicas que dão a sensação de estar aprendendo, mas produzem quase nada de retenção. E como se sentiram cansados, acham que fizeram progresso", afirma.
Segundo Cornetta, a diferença entre um bom e um mau método está em uma característica simples: se ele exige ou não que o aluno tente recuperar o conteúdo sem apoio do material. "O cérebro aprende por conexão. Se o aluno estuda um assunto isolado, sem relacionar com o que já sabe, a informação desaparece. Se ele conecta o novo conteúdo com algo que já domina, o cérebro cria vários caminhos para recuperar aquilo quando precisar", explica.
Entre os processos apontados pela mesma pesquisa como mais eficazes estão a prática de recuperação, em que o aluno testa o próprio conhecimento em vez de apenas reler, e a prática distribuída, que retoma o conteúdo em intervalos ao longo do tempo, em vez de concentrá-lo em maratonas de estudo.
Para o especialista, o problema não está na falta de esforço dos estudantes, mas na forma como foram ensinados a estudar.
"O que o jovem de hoje precisa é estudar bem e escolher o método certo. Isso exige mudar tanto o que ele faz quanto o que os pais entendem por dedicação. Quando o aluno percebe que menos horas com o método certo rendem mais do que muitas horas com o errado, ele estuda com mais eficiência e obtém mais resultados", conclui.
Sobre a Kaizen
Fundada em 2020, a Kaizen é uma startup de educação com foco em mentorias personalizadas para estudantes do Ensino Fundamental ao Superior. Combinando orientação acadêmica, personalização de estudos e tecnologia, a empresa já atendeu milhares de alunos em diversas regiões do país, promovendo autonomia, estrutura e desempenho.
Fonte: Patricia Lima - Lucky Assessoria
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