A cada quatro anos a Copa muda a rotina das pessoas: ajustamos a agenda, combinamos de assistir aos jogos com amigos e vivemos aquele período em que o futebol domina qualquer conversa. Na Copa de 2022, ficou claro como o universo digital amplia a forma de viver o torneio: enquanto a bola rolava no mundo real, torcedores recriavam lances no FIFA, simulavam partidas, acompanhavam os streamers comentando os jogos em tempo real, participavam de campeonatos temáticos e transformavam tudo em conteúdo, com creators chegando até mesmo a fazer "partidas espelho" após os confrontos oficiais.

Para ter uma idéia dessa magnitude, a BBC reportou mais de 100 milhões de transmissões durante o torneio, mostrando o tamanho do interesse pelo evento. Em 2026, esse movimento tende a ser ainda maior. Agora, com um consumo cada vez mais digital, as plataformas digitais se consolidam como um ponto natural de encontro, participação e conversa para um público que vive esse ecossistema de maneira ativa todos os dias e como uma oportunidade real para as marcas estarem onde essa cultura acontece.

Quando fazemos um paralelo com uma comunidade ainda maior e mais madura, como a gamer, essa integração tende a ser ainda mais forte. O seu comportamento ativo, comunitário e orientado à criação, amplifica a emoção da Copa e transforma o evento em um ecossistema vivo de conversas, reações e experiências paralelas. É nesse espaço que as marcas podem se conectar de forma mais natural, participando da cultura que já acontece entre os jogadores.

Segundo a Pesquisa Game Brasil, mais de 80% dos brasileiros jogam videogames. Isso significa que grande parte das pessoas já vive o hábito de participar ativamente das experiências, seja comentando, cocriando ou interagindo com tudo o que acontece no jogo. Nos títulos de futebol, como o EA FC, por exemplo, isso fica ainda mais evidente: são criados lances, escalações e partidas antes dos confrontos reais e tudo isso é acompanhado de perto pelos fãs do universo. Assim como acontece no mundo gamer, em que ninguém é só espectador, a graça está em fazer parte, colaborar e moldar a narrativa junto com outras pessoas.

É esse mesmo espírito que aparece quando presenciamos momentos de Copa do Mundo. O torcedor quer estar dentro da conversa, não apenas assistindo. E é aí que a lógica gamer se conecta: marcas que entendem esse comportamento conseguem criar iniciativas que funcionam como espaços de participação real, e não apenas conteúdos soltos. No fim, a força está em adotar o mindset gamer, sendo ativo, coletivo e colaborativo, para construir presença onde a conversa realmente acontece.

Outro ponto importante é a ponte cada vez mais natural entre o futebol e o universo gamer. Muitos jogadores profissionais se conectam com esse público por meio de streams, vídeos e conteúdo fora do campo. Eles participam de campeonatos, se envolvem com comunidades e criam uma relação que ultrapassa o esporte tradicional. Essa dinâmica ajuda marcas a se aproximarem de um público jovem que não só consome futebol, mas também vive o digital com intensidade.

O que vemos é que a comunidade gamer cria ambientes onde as pessoas aprendem, compartilham, se conectam e constroem caminhos reais. Isso vale para o competitivo, para o entretenimento e para as marcas que querem fazer parte disso de forma autêntica. A Copa de 2026 é um momento global que desperta emoção. E emocionar é exatamente o que os esports fazem quando juntam pessoas em torno de algo que elas realmente gostam.

Para o mercado publicitário, esse universo abre portas que vão muito além da presença tradicional, elas conseguem testar produtos, contar histórias e criar experiências que fazem sentido para o público. Quando a entrada é feita com cuidado e coerência, a relação deixa de ser superficial e vira participação.

É isso que vimos na Brasil Game Show, quando a Samsung levou ativações reais para o evento, montou uma arena de esports e criou espaços de gameplay e interação direta com a comunidade, incluindo iniciativas com EA FC. Foi uma forma efetiva de mostrar que a marca não estava só "patrocinando", mas vivendo o momento com o público. Esse tipo de ação fortalece a percepção de autenticidade e cria lembrança positiva, algo que só acontece quando as marcas entendem a lógica da comunidade e escolhem participar de verdade.

Por fim, futebol e games falam a mesma língua. Os dois unem, ensinam, inspiram e criam pertencimento. As marcas que entenderem isso conseguem estar presentes de um jeito natural, respeitando o ritmo da comunidade. Porque hoje, entre o estádio e a tela, existe um espaço vivo e cheio de oportunidades, e é nele que a próxima grande conversa do Brasil vai acontecer. 

Por Guilherme Barbosa, diretor de parcerias da Gamers Club

Fonte: VCRP

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