Homens entre 20 e 30 anos já apresentam fatores de risco cardiovascular que, até pouco tempo atrás, eram mais comuns a partir dos 40 anos. Dados do National Health and Nutrition Examination Survey, grande programa de pesquisa de saúde realizado nos Estados Unidos, mostram que, entre adultos de 18 a 39 anos, parcela significativa já convive com pressão alta ou colesterol elevado — muitas vezes sem saber. O cenário acende alerta para a necessidade de prevenção cada vez mais precoce.

De acordo com o cardiologista do Hospital Emílio Carlos, Edson Sinhorini, a mudança no perfil etário das doenças cardíacas está diretamente relacionada ao estilo de vida adotado pelas novas gerações. "Durante muitos anos associamos infarto, arritmia e hipertensão ao envelhecimento, mas essa não é mais a realidade. Hoje encontramos alterações de pressão e colesterol antes dos 30 anos. Sedentarismo, alimentação rica em ultraprocessados, privação de sono, estresse crônico, consumo excessivo de álcool, energéticos e estimulantes para melhorar desempenho físico formam um conjunto que acelera o envelhecimento do sistema cardiovascular. O uso de esteroides anabolizantes também é uma preocupação crescente. Esses fatores contribuem para disfunção endotelial, inflamação vascular e remodelamento cardíaco ao longo dos anos. Todo conjunto de alterações pode resultar não apenas em infarto, mas também em AVC, insuficiência cardíaca, arritmias e outras doenças cardiovasculares", alerta.

 

Entre as mulheres há fatores específicos que aumentam o risco cardiovascular ao longo da vida, como pré-eclâmpsia, eclâmpsia, diabetes gestacional, menopausa precoce e doenças autoimunes. Essas condições podem antecipar o surgimento de problemas cardíacos e, por isso, exigem acompanhamento médico regular e atenção contínua à saúde do coração.

Para o cardiologista Edson Sinhorini, a prevenção deve começar cedo. "A avaliação dos fatores de risco precisa ter início ainda na vida adulta jovem, geralmente entre os 18 e 20 anos, com atenção especial à pressão arterial, ao perfil lipídico e aos hábitos de vida. O aumento da obesidade já na adolescência tem provocado alterações metabólicas precoces, que favorecem o desenvolvimento progressivo da doença cardiovascular ao longo dos anos. Essa avaliação inclui a aferição periódica da pressão arterial, exames de colesterol e glicemia, além da análise do histórico familiar. Em alguns casos selecionados também pode ser solicitada a dosagem da lipoproteína(a), marcador genético de risco cardiovascular recomendado pelo menos uma vez na vida adulta", destaca.

Ainda segundo o especialista, a principal estratégia continua sendo a mudança de hábitos. Manter alimentação equilibrada, priorizando alimentos naturais, praticar ao menos 150 minutos semanais de atividade física moderada, abandonar o tabagismo e o consumo excessivo de álcool, garantir sono adequado e controlar o peso são medidas essenciais para reduzir o risco de eventos cardíacos.

 

Foto: Divulgação FPA/PEXELS

 

Fonte: Eric Ribeiro Conceição - FPA

Flagra de descarte irregular de óleo queimado mobiliza equipes em Catanduva

Leia mais...

UPA de Catanduva realiza 124 mil atendimentos em 2025; maioria dos casos foi de baixa gravidade

Leia mais...

Vereadores aprovam projeto sobre motores de sucção de piscinas e acatam veto do Executivo

Leia mais...

Mais de 400 pessoas participam do 1º Congresso de Extensão em Saúde da Famerp

Leia mais...

Períodos chuvosos aumentam risco de leptospirose, alerta médica

Leia mais...

Alunos do curso de enfermagem da UNIFIPA participam de palestra sobre práticas transfusionais

Leia mais...