Durante coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (2), representantes do Ministério Público do Estado de São Paulo, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), da Receita Federal e das forças de segurança envolvidas na Operação Rei do Pix apresentaram novos detalhes sobre a investigação que apura um suposto esquema de desvio de recursos públicos da Câmara Municipal de Catanduva.
A operação foi deflagrada com o objetivo de desarticular uma organização investigada por supostos desvios de aproximadamente R$ 10 milhões dos cofres públicos do Legislativo municipal, além de possíveis crimes de lavagem de dinheiro, organização criminosa, fraudes em licitações e contratos superfaturados.
Segundo informações divulgadas oficialmente pelo Ministério Público, as investigações identificaram a utilização de empresas de fachada para simular a prestação de serviços à Câmara Municipal. Conforme apurado, essas empresas recebiam recursos públicos e posteriormente realizavam movimentações financeiras destinadas a ocultar a origem dos valores.
Durante a coletiva, as autoridades explicaram que diferentes mecanismos teriam sido utilizados para esconder e distribuir os recursos supostamente desviados.
"Há uma série de formas que foram identificadas. Foram constituídas, por exemplo, empresas, foram adquiridos bens móveis e imóveis e esse dinheiro desviado também servia para diversos repasses a pessoas próximas desse grupo para que se fortalecessem, comprando não só bens de consumo, mas também comprando a própria influência e poder", afirmou um dos representantes do Ministério Público.
A declaração reforça a suspeita de que parte dos recursos investigados teria sido utilizada não apenas para aquisição de patrimônio, mas também para fortalecer relações e ampliar a influência do grupo investigado.
Investigação segue em andamento
Questionados sobre a existência de um possível líder da organização criminosa e sobre a identidade dos investigados presos durante a operação, os representantes do Ministério Público afirmaram que essas informações não serão divulgadas neste momento.
"Como a investigação ainda está em curso, a gente não vai nomear, identificar de quem era a cabeça, de quem eram as pessoas responsáveis. As pessoas envolvidas não vão ser nomeadas", declarou um dos promotores.
De acordo com o MP, a decisão busca preservar o andamento das investigações, que ainda podem resultar em novas diligências, análises de documentos e aprofundamento das apurações.
Força-tarefa mobilizou centenas de agentes
A Operação Rei do Pix mobilizou uma ampla força-tarefa formada por integrantes do GAECO, Receita Federal, Polícia Militar e Polícia Civil.
Ao todo, foram cumpridos 10 mandados de prisão e mais de 50 mandados de busca e apreensão em diversas cidades do Estado de São Paulo.
A ação contou com a participação de 20 promotores de Justiça, 30 servidores do Ministério Público, 11 agentes da Receita Federal, mais de 200 policiais militares e três equipes da Polícia Civil.
As autoridades informaram que novas informações poderão ser divulgadas conforme o avanço das investigações permitir, respeitando os limites legais e o sigilo necessário para garantir a eficácia da apuração.
O Ministério Público ressalta que todos os investigados possuem direito à ampla defesa e ao contraditório, conforme estabelece a Constituição Federal.
Fonte: Coletiva de imprensa do Ministério Público do Estado de São Paulo (GAECO), Receita Federal e Polícia Militar
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