O médico de 52 anos que morreu durante um confronto com a Polícia Militar, no domingo (18), em Catanduva, foi atingido por três dos 14 disparos efetuados pelos policiais. A informação foi divulgada pela corporação durante uma entrevista coletiva nesta terça-feira (20).
Segundo o major da Polícia Militar Mário Augusto de Freitas, dois tiros atingiram Luciano Lopes Pastor de raspão, enquanto outro acertou a região abdominal. O caso começou durante o atendimento a uma ocorrência de violência doméstica no bairro Jardim Aeroporto.
De acordo com a Polícia Militar, os quatro agentes que efetuaram disparos foram afastados do serviço operacional nas ruas. A medida também prevê a avaliação psicológica dos policiais, que poderão ser direcionados temporariamente para funções administrativas.
Polícia Militar afirma que médico atirou contra os agentes
Uma gravação da ocorrência permite ouvir 16 disparos durante o confronto. Conforme o major, as imagens mostram o médico efetuando dois tiros contra os policiais. A corporação, porém, não disponibilizou o vídeo à reportagem.
Questionado sobre os procedimentos adotados pelos agentes diante da quantidade de disparos, o representante da PM afirmou que os policiais atiram até que a ameaça seja contida. Segundo ele, os demais tiros não atingiram o médico e não impediram que ele continuasse atirando.
Durante a entrevista, o major lamentou o desfecho da ocorrência e afirmou que a corporação buscou evitar a morte.
Armas são apreendidas para perícia
Um Inquérito Policial Militar (IPM) foi instaurado para apurar as circunstâncias da intervenção. As armas utilizadas pelos policiais que efetuaram disparos foram apreendidas para perícia, assim como a arma que estava com o médico.
O delegado da Polícia Civil responsável pela investigação, Gilberto Costa, informou que o laudo pericial definitivo sobre a quantidade de disparos ainda não havia sido concluído.
A Polícia Civil investiga o caso como morte decorrente de oposição à intervenção policial, violência doméstica, ameaça e resistência.
Ocorrência começou com denúncia de violência doméstica
A Polícia Militar foi acionada para atender a uma denúncia de violência doméstica na residência do médico, no bairro Jardim Aeroporto.
Segundo o boletim de ocorrência, a esposa relatou ter sido ameaçada pelo marido, que estaria alterado e armado após um churrasco familiar.
Quando os policiais chegaram ao endereço, a mulher já estava do lado de fora da residência. Os dois filhos do casal, de 14 e 10 anos, permaneciam no imóvel e se abrigaram em um banheiro.
Conforme o registro policial, os agentes tentaram negociar com o médico para que ele entregasse a arma. Em determinado momento, ele teria se protegido atrás de um pilar e apontado a arma na direção dos policiais.
Os agentes reagiram e o médico foi baleado, morrendo no local. As crianças foram retiradas da residência sem ferimentos e entregues aos cuidados de uma tia. A esposa também não ficou ferida.
Na casa, a equipe policial encontrou armas e outros objetos que foram apreendidos durante a ocorrência, entre eles um item com símbolo nazista.
A investigação segue em andamento para esclarecer as circunstâncias do confronto.
Fonte: G1 Rio Preto













