O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), do Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), denunciou o ex-presidente da Câmara Municipal de Catanduva, Marcos Aparecido Ferreira, conhecido como Marquinhos Ferreira, o filho dele, ex-assessores parlamentares e outras pessoas por suspeita de lavagem de dinheiro.
A denúncia, divulgada na terça-feira (3), é um desdobramento da Operação Rei do Pix, deflagrada em junho de 2026 para investigar um suposto esquema de desvio de recursos públicos no Legislativo municipal. Segundo as investigações, os fatos teriam ocorrido entre 2023 e 2024, período em que Marquinhos Ferreira presidiu a Câmara.
Ao todo, sete pessoas foram denunciadas. De acordo com o Ministério Público, as movimentações financeiras utilizadas para ocultar a origem dos recursos teriam alcançado pelo menos R$ 3,89 milhões.
Como funcionaria o esquema
Segundo o GAECO, o dinheiro supostamente desviado dos cofres públicos teria sido utilizado para financiar empresas e a compra, construção e reforma de imóveis. Parte dos bens estaria registrada em nome de terceiros, embora, conforme a investigação, pertencesse aos envolvidos.
Os promotores também apontaram a utilização de depósitos e saques fracionados em dinheiro, prática conhecida como smurfing, que consiste em dividir grandes quantias em operações menores para dificultar o rastreamento dos valores.
Outra suspeita envolve empresas que teriam simulado a prestação de serviços ao Legislativo, emitido notas fiscais por trabalhos supostamente não realizados e devolvido entre 90% e 95% dos valores recebidos.
Entre os exemplos citados pelo Ministério Público está o pagamento de R$ 100 mil a uma empresa por um serviço de hidratação de poltronas de couro que, segundo a investigação, não teria sido executado.
Pedido de confisco de bens
O GAECO também solicitou à Justiça o confisco de bens, imóveis e empresas supostamente vinculados ao grupo, além da definição de um valor mínimo para reparar os prejuízos causados aos cofres públicos.
Na primeira fase da Operação Rei do Pix, a Justiça já havia determinado o bloqueio de bens dos investigados, em valores que poderiam chegar a R$ 20 milhões, conforme o envolvimento atribuído a cada um. Veículos e quantias em dinheiro também foram apreendidos.
A denúncia por lavagem de dinheiro representa mais uma etapa do processo de investigação. Os denunciados ainda não foram julgados, e a apresentação da denúncia não significa condenação.
Segundo a reportagem do G1, as defesas de Marquinhos Ferreira e do filho dele foram procuradas, mas não haviam se manifestado até a última atualização. O espaço permanece aberto para posicionamentos.
Fonte: G1 Rio Preto e Araçatuba


















